Janaina Pereira

outubro 25, 2008

Passo o ponto

Filed under: Economia — janapereira @ 3:25 pm

A procura por um ponto comercial exige atenção. Saiba como identificar o melhor lugar para montar seu negócio.

 Janaina Pereira, revista Meu Próprio Negócio, edição 53 – maio/2007

            Passo o ponto: empresa de pequeno porte, bem localizada, ótima clientela.  Quem nunca viu um anúncio assim? Novos empreendedores, na busca por um lugar para montar seu negócio, encontram muitas possibilidades nas seções de classificados dos jornais. Mas como fazer a escolha certa?

           O consultor Rafael Yanez, da Yan Corpy Consultoria de Marketing e Negócios, explica que nem sempre o tipo de negócio que a pessoa deseja abrir é o ideal. “O empreendedor precisa ter conhecimento da área que vai trabalhar. Muitas vezes ele decide investir num restaurante, mas não entende nada de comida. Em casos assim, as chances do negócio não dar certo são maiores”.

      Para Yanez, identificar as características do empreendedor é o primeiro passo e inclui análise do perfil técnico, administrativo e financeiro. “Muitas pessoas procuram uma consultoria de compra para pedir ajuda na hora de definir o negócio. Temos muitos casos de empresários que se aposentam e decidem, a partir de sua experiência profissional, abrir um negócio próprio na área. Mas o fato dele ter trabalhado por anos numa concessionária de automóveis não significa que esta seja a melhor opção.  A pessoa pode ter muito conhecimento sobre o assunto, mas tem que saber se como administrador vai se encaixar ao negócio que ele quer investir. Por isso é importante traçar o perfil desse empreendedor.”

          A próxima etapa é fazer uma análise do ponto e investigar onde se pretende investir. Rafael Yanez dá algumas dicas. “Para passar o ponto rapidamente, muitos empresários omitem informações. Por isso, deve-se ter cuidado antes de tomar a decisão. A maior parte dos negócios são vendidos porque não estão bem. Antes de mais nada, é preciso saber se o ponto escolhido dá lucro e se está com as contas em dia. Conhecer um pouco do antigo proprietário faz diferença. E o que influencia cada negócio não é apenas quem compra, mas quem administra e quem paga o investimento.”

         O empresário Renato Henrique Pereira da Silva trabalhou numa multinacional por oito anos antes de montar seu próprio negócio. Decidido a investir na área de serviços, procurou por franquias e pesquisou vários pontos através dos classificados dos jornais. Mas foi com a ajuda de uma empresa de consultoria de negócios que conseguiu  iniciar sua carreira de empreendedor. “O consultor mostrou que meu perfil não se encaixava com a área de serviços. Ele tinha um ponto de uma escola de inglês e depois de analisar esse mercado, achei que valia a pena o investimento”. Desde março, Silva é franqueado da escola de inglês Skill e está satisfeito com os resultados. “O dono anterior achava o investimento alto, por isso passou o negócio. Eu estou usando o pouco que recebo para investir no local e pretendo fazer uma reforma. Já tenho 160 alunos e espero crescer mais, ficar conhecido na região e começar a lucrar a médio prazo”. O novo empreendedor acredita que o fator determinante na hora de escolher o ponto é se apaixonar pelo negócio. “O empreendedor tem que ter consciência de que encontrará dificuldades pelo caminho e que vai precisar se dedicar muito para que tudo dê certo.” 

Ampliando o ponto

         São muitos os caminhos que levam ao empreendedorismo e todos partem do clássico “Passo o ponto”. O comerciante Augusto César Monteiro tinha se mudado a pouco tempo para a Água Funda quando uma placa numa adega chamou sua atenção. Monteiro conversou com o proprietário, investiu R$6 mil no negócio e colocou seu apelido na fachada.  De 2001 para cá a Adega do Cebola não pára de crescer, anuncia o comerciante. “Transformei a adega em bar e mercearia. É um comércio de bairro e os moradores daqui pediam que ampliassem o negócio. O antigo dono estava cansado de trabalhar com o comércio e eu, que já fui sócio de um bar com meu pai e, na época, estava trabalhando como revendedor de artigos importados, achei que era uma boa oportunidade para  investir em algo meu.” Monteiro diz que como morador do bairro, ficou fácil identificar os pontos positivos do local. Assim, em seis meses, já havia recuperado o valor investido. “O local estava pronto, eu só ampliei e o tornei mais conhecido. Nos primeiros três meses eu não tinha lucro e no primeiro ano não retirava dinheiro para poder me estabelecer. Isso foi necessário para o negócio lucrar, e eu já sabia que o retorno não viria em pouco tempo.” Para o comerciante, o segredo de administrar um ponto já estabelecido é a visão do empreendedor. “Não adianta investir num ponto caro porque ele não vai dar lucro imediato. Você tem que procurar o que possa dar retorno a médio prazo e se dedicar ao trabalho. Não dá para começar um negócio e deixar nas mãos dos funcionários. O dono tem que estar por perto e ter paciência para esperar o lucro.”  

Anunciando

          O empresário Edison Viega trabalha há 30 anos com comércio de sucatas, mas sempre investiu em outros negócios. Ex-dono de restaurante, há dois anos apostou em um novo segmento: beleza e estética.  Encontrou um prédio no Ipiranga, onde funcionava um salão de beleza, e fechou o negócio. Assim nasceu o Ana Viega Belt Shop, que no final do ano passado chegou a faturar R$7mil. Agora o empresário está passando o ponto.  “Minha esposa e eu não temos mais tempo de nos dedicarmos ao negócio. O salão é um bom investimento, mas é desgastante e o dono tem que estar sempre presente. O mercado de estética e beleza exige alguns cuidados, pois a rotatividade de funcionários nessa área é enorme. E quando uma manicure sai do salão, leva parte da clientela, porque as pessoas se apegam muito ao profissional de beleza. Por isso é importante uma boa administração e um dono que esteja cuidando do negócio de perto.”

        Viega colocou anúncios nos jornais, e já tem propostas de compra do ponto. Mas, antes de fechar o negócio, alerta os novos empreendedores sobre possíveis armadilhas do mercado. “Fui procurado por muitos recém-formados que desejam abrir um negócio, mas a pessoa deve ter consciência de que precisa ter caixa para ‘bancar’ o investimento, pois leva pelo menos um ano para dar lucro. O mercado oscila muito e a inadimplência neste segmento aumentou, porque fazer o cabelo ou as unhas são supérfulos. Nesta área é preciso diferenciar o salão dos outros, criar curiosidade, dar conforto aos clientes e ter preços que atraiam.” 

Ponto para o franchising

       A pizzaria Babbo Giovanni ajuda seus franqueados a obter o melhor ponto comercial. Recentemente a empresa adquiriu um ponto na Vila Madalena para abrir mais uma franquia. “O proprietário de um pizza-bar nos procurou querendo passar o ponto. Ele é de Tocantins e não conseguia mais cuidar do negócio. Analisamos o local e valia a pena ficar com ele. O mesmo processo ocorreu em Vinhedo, onde adquirimos um restaurante para ser a primeira franquia da empresa fora do Estado de São Paulo”, diz o diretor de expansão da Babbo Giovanni Pedro Paulo Couto. 

             Segundo Couto, escolher o ponto comercial para a franquia é um diferencial da empresa, e os benecíficios são inúmeros. “Das 17 franquias da Babbo Giovanni, 10 achamos no esquema de ‘passo o ponto’. Tem todo tipo de história, desde os corretores nos procurarem até nós pesquisarmos onde há um bom local sendo passado”, diz Couto, que classifica como uma das vantagens de comprar o ponto o fato de procurar restaurantes e pizzarias com boas instalações, o que garante um negócio melhor e de 20 a 40% a menos de investimentos. 

10 perguntas que você deve fazer na hora de avaliar o ponto 

  • O ponto é bom para ser comprado?
  • Dá lucro?
  • As contas estão em dia?
  • A estrutura poderá ser aproveitada?
  • Que tipos de pessoas frequentam o local?
  • O segmento tem muita concorrência no bairro?
  • Este é o tipo de trabalho que desejo investir?
  • Eu gosto do segmento?
  • Tenho conhecimento sobre o mercado?
  • O que eu posso fazer para melhor o negócio?

 

Colaboraram

Adega do Cebola – (11) 9874-5338, Ana Viega Belt Shop – (11) 5571-2338, Babbo Giovanni – www.babbogiovanni.com.br – (11) 9985-4438, Skill – www.skill.com.br  – (11) 5589-4454, Yan Corpy Consultoria de Marketing e Negócios – www.yancorpy.com.br – (11) 5092-9008

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