Janaina Pereira

outubro 25, 2008

Flemming analisa a arte na era da indústria cultural

Filed under: Cultura — janapereira @ 3:08 pm

Artista plástico diz que massificação é uma tentativa de emburrecer as pessoas

A cultura de massa é a cultura do homem da sociedade de massa. O pensamento do sociólogo e filósofo francês Edgar Morin, base de estudo da Escola Sociológica Européia, divide opiniões dentro da imprensa especializada em cultura. O artista plástico Alex Flemming, em entrevista exclusiva ao Inove, fala sobre o assunto.

Inove – Partindo do conceito de que arte é inquietação, a cultura de massa não é arte, já que é voltada para o entretenimento. O que você acha da cultura, na atualidade, estar associada ao entretenimento?

Alex Flemming – Entretenimento não tem nada a ver com arte. Se a arte não inquieta, não é arte. Entretenimento é mera decoração. O cinema, infelizmente, e toda essa massificação, é uma tentativa de emburrecimento das pessoas. Isso não é arte, é manipulação da informação, não sei com que intenção. Por isso eu convido todas as pessoas a estudarem sobre a história da arte e a refletirem sobre a inquietação. As pessoas têm que visitar museus, discutir a arte, e não podem aceitar passivamente o que os jornais e o cinema trazem.

Inove – Você está lançando um livro que abrange uma década de sua obra. Qual trabalho você mais gosta, ou é o que ainda vai ser feito que você vai gostar mais?

Alex Flemming – Sobre o que vou fazer eu não falo! E sobre o passado eu gosto de todos. Cada um teve um significado, teve uma época, teve um espírito do tempo. No livro eu pude rever obras minhas dos anos 70, que fazia muitos anos que eu não revia, e pensei como é incrível pensar da mesma forma hoje!

Inove – E da arte brasileira, o que você mais gosta?

Alex Flemming – Eu gosto da arquitetura barroca, mas detesto a arquitetura atual. Uma sociedade que tem Paulo Mendes da Rocha e Neimeyer não pode fazer essa arquitetura que vemos. As elites brasileiras são anti-brasileiras, isso é uma tragédia. Gosto muito da música e do folclore brasileiros, mas acho impossível comparar as culturas, pois tem a ver com a história de cada país. É importante se entender a história do Brasil, pois a globalização é nociva ao Brasil, ela traz ao Brasil o bom e o lixo de Hollywood, mas o guaraná Antarctica não é tomado na Noruega. O Brasil tem que pensar em si própria e preservar sua cultura.

Inove – Você acha que no Brasil há um pensamento de que a cultura do outro é melhor do que a nossa?

Alex Flemming – Infelizmente isso é verdade, existe uma predisposição para se pensar assim. Um professor da Universidade de Nebraska é melhor que um professor da USP? Talvez pelo nosso passado colonial nós temos uma mentalidade colonizada. Nossas elites são vinculadas ao exterior, usam o shampoo da Suíça e a geléia da Inglaterra. Eu acho o máximo usar shampoo de babosa e geléia de Piracicaba. Faço questão de comer goiabada com queijo. Acho que se o Brasil não tomar conta, vai perder muito de sua cultura.

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 Janaina Pereira – 18 / 05 / 2007

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