Janaina Pereira

novembro 12, 2008

Edson Tomiello

Filed under: Entrevistas — janapereira @ 6:37 pm

Inquieto e determinado, o gaúcho Edson Tomiello decidiu abrir mão de um estável emprego em uma grande empresa para se dedicar ao seu próprio negócio. Hoje ele comanda a Neobus, uma das maiores encarroçadoras do Brasil, e tem como sócio a Marcopolo, empresa em que iniciou sua carreira. Conheça mais sobre este empresário que não teve medo de arriscar e já foi apontado como um dos maiores empreendedores brasileiros

Janaina Pereira, revista Meu Próprio Negócio, edição 66 – junho / 2008

Edson Tomiello começou a trabalhar aos 13 anos, como pedreiro. Com esforço, conseguiu concluir a faculdade de Administração de Empresas enquanto trabalhava na Marcopolo, tradicional fabricante de ônibus e grande empresa de sua cidade, Caxias do Sul (RS). Lá ficou por mais de dez anos. No período, foi promovido várias vezes, até que um dia resolveu investir em seu próprio negócio.

Em 1991, Tomiello deixou a Marcopolo, comprou duas máquinas de solda e abriu a pequena metalúrgica San Marino. Começou a fornecer componentes para a indústria automotiva, agrícola e de transportes, o que incluía a sua ex-empregadora. A equipe de colaboradores era formada, na época, por 60 pessoas.

Oito anos depois, já estabilizado, comprou a marca Neobus, que pertencia a uma empresa de São Paulo. O posicionamento arrojado e inovador fez com que a empresa fosse eleita Encarroçadora do Ano em 2004. Em poucos anos, a Neobus se tornou uma das maiores e mais importantes encarroçadoras do Brasil. Atualmente é uma das líderes de venda de microônibus no País, com participação de 30% neste segmento e 11% dos ônibus no total. Além disso, exporta para países da América do Norte, América do Sul, América Central e Caribe, África e Oriente Médio.

Hoje o empresário lidera mais de 1.600 colaboradores em um parque industrial de 300 mil m², com 40 mil m² de área construída e capacidade fabril de 20 unidades/dia. E o desempenho da sua jovem empresa começa a incomodar as concorrentes. A própria Marcopolo, atualmente com 25% de participação nas vendas de microônibus, comprou 39% das ações da companhia do ex-funcionário. E, assim, Tomiello passou a ser sócio da empresa em que um dia ele foi funcionário.

Em entrevista à Meu Próprio Negócio, Edson Tomiello, que já concorreu a a um dos mais importantes prêmios brasileiros de empreendedorismo, o Empreendedor do Ano Ernst & Young, conta como foi sua trajetória.

Meu Próprio Negócio – Como o senhor iniciou sua carreira?

Edson Tomiello – Iniciei muito cedo, com meu pai, aos 13 anos, como pedreiro. Aos 20 ingressei na Marcopolo como almoxarife, depois passei pela programação e controle de produção. Mais tarde assumi as áreas de logística, suprimentos e industrial. Durante essa escalada, dividia meus dias e noites com cadeiras do curso de Administração de Empresas na Universidade de Caxias do Sul. Aos 31 anos, decidi empreender no meu próprio negócio, criando a San Marino, direcionada para prestação de serviços, desenvolvendo peças para indústria automotiva, agrícola e de ônibus. Em 1993, iniciei a produção de reboques e semi-reboques e, em 1999, decidi montar a fábrica de carrocerias de ônibus Neobus. Desde então, e até os dias atuais, a empresa tem feito um lançamento por ano, sempre buscando novos nichos de mercado.

MPN – O que o levou a desistir de uma ascensão profissional bem-sucedida em uma grande empresa para investir em seu próprio negócio? O que foi mais difícil para tomar a decisão?

ET – Não teve um motivo específico, sempre fui inquieto e determinado, naquele momento estava convicto que tinha que acontecer uma mudança profissional em minha vida. A maior dificuldade que tive com relação a minha tomada decisão foi com minha família, resumirei o que disse minha mãe quando soube que sairia da Marcopolo: “Como é que vais agora pagar o Chevette que tu acabou de comprar?” A reação não foi nada positiva. Mas é compreensível. Quando deixei a Marcopolo, em 1990, onde tinha emprego estável, cargo de chefia e bem remunerado para a época, comprei duas máquinas de solda financiadas em 12 vezes para colocar meu sonho em prática. Comecei fornecendo componentes estruturais para Marcopolo, Busscar e outras empresas do setor automotivo. Também atendi organizações do ramo moveleiro e do transporte agrícola.

MPN – No começo de sua trajetória como empreendedor qual o maior desafio que o senhor enfrentou?

Tomiello Sem dúvida a falta de recursos, os bancos não tinham uma linha de crédito específica para quem estivesse começando, tive que contar com ajuda de familiares e amigos para os primeiros passos.


MPN – O senhor pensou, em algum momento, em desistir do negócio?

Tomiello Jamais pensei nisto! Com um investimento atrás do outro não tinha como ficar pensando muito, o que estava concluído tinha que pagar o que estava em andamento e assim é até hoje.

MPN – Qual foi o fator que ajudou para o crescimento tão expressivo de sua empresa?

Tomiello Sempre tivemos uma política agressiva no mercado, com bons produtos e conhecimento do negócio. Eu tenho 30 anos neste meio. A empresa sempre teve como foco posicionar-se em nichos de mercado. É o caso do modelo Spectrum, lançado em 2002. Hoje somos líderes no mercado de micros médios e dos midiônibus, que também lançamos pioneiramente no mercado, assim como o micro de porta avançada. A gente se propõe a trabalhar em nichos, onde buscamos a liderança, e com produtos que deram certo e imagem boa. A empresa é reconhecida pelo conceito de qualidade dos seus produtos. Todos estes fatores facilitaram, mas também tem o aspecto da agressividade. Enquanto alguns esperavam o mercado reagir, eu me antecipava nas decisões e investia na frente. Devo reconhecer que muitas vezes gastei o que não tinha, mas sempre honrei todos os compromissos.

MPN – Como o senhor definiria sua gestão? Ela tem alguma característica específica?

Tomiello A característica que mais destaco é a convivência direta com o mercado e perceber o que o mesmo quer, criar estrutura adequada para produzir, além de uma boa dose coragem para investir onde tantos estão desistindo. Mas investir com um olhar e atitudes diferentes. O óbvio não seduz.

MPN – Como foi a associação com a Marcopolo, empresa em que o senhor trabalhou e que hoje detém 39% das ações da sua companhia?

Tomiello O mercado tem forçado as empresas a se internacionalizar para poderem se perpetuar. Assim aconteceu conosco: me associei com o líder, blindando nossa marca e me projetando de maneira mais segura no mercado, principalmente o internacional.


MPN– Na época que deixou seu cargo na Marcopolo o senhor saiu com boas relações? Qual a importância disso, especialmente por que o senhor se tornou um concorrente do seu antigo empregador?

Tomiello Sempre mantive um bom relacionamento com meu antigo patrão, pois a Marcopolo me projetou profissionalmente, pude aprender muito nesta grande escola. Como sou praticamente um produto do meio, mais fácil ficou o acerto das diretrizes.

MPN – Como é sua rotina de trabalho?

Tomiello A bem pouco tempo atrás não sabia o quando começava e quando terminava a semana, era dedicação total ao trabalho. Com a chegado dos meus filhos, que são gêmeos, comecei a dar uma atenção especial a eles. Ainda assim, nos finais de semana, dou uma passada na empresa onde cultivo algumas hortaliças e agora estou finalizando a “Casa do Nono”, uma edificação que remonta as primeiras habitações que nossos antepassados construíam ao chegar ao Brasil vindos da Itália. Uma forma de homenageá-los e um ponto de encontro com nossos amigos, familiares, clientes e colegas de trabalho.

MPN – Que conselho o senhor dá a começa a emprcomeça a empreender hoje? Qual o eender hoje? Qual o quem começa a empreender hoje? Qual o seu maior aprendizado como funcionário e agora como patrão?

Tomiello Quando se está na condição de empregado, seja o mais profissional possível, seja qual a função, não reclame, trabalhe e procure soluções para que a empresa faça a diferença, realize mais do que diz a sua descrição de cargo. Quando for colocar o próprio negócio, esteja certo de que você realmente conhece o que vai produzir ou o tipo de serviço que irá prestar, porque o mercado não irá permitir experiências, ele quer segurança plena do produto que compra e do serviço que contrata.

MPN – Quais as perspectivas para a empresa e os planos para o futuro?

Tomiello – Nossa busca por novos nichos de mercado é uma constante. Também queremos aumentar nossa atuação no pós-vendas, investir em nossa qualificação de imagem de marca e permanecer em contato intenso com nossos clientes e mercado.


2 Comentários »

  1. Olá Janaina,
    Parabéns pela matéria, ela mostra muito bem a vida sacrificada que o sr. Edson, hoje nosso Diretor presidente teve para chegar aonde está.

    Essa é uma lição de vida que devemos levar para as nossas, aonde unimos o conhecimento, a perspectiva e a atitude e em um curto espaço de tempo ocorrem fatos como esse.

    Um abraço!

    Comentário por Robson — julho 22, 2009 @ 7:12 pm

  2. isso que falta no Rio de Janeiro;o melhor em petropolis,que os empresários deem valor aos seus profissionais,pois á marcopolo apostou em voce e voce agarrou com todas as forças,hoje voce é a prova que valorização é o melhor caminho para se atingir o exito entre fussionario e empregador,e que basta ter força e vontade de vencer podemos chegar la,parabens a voce sr Edson e a voce que fes da luta de uma pessoa essa materia tão linda.
    obrigada ao sr edson Tomiello por sua lição de vida para nós!

    um abraço! LUIS ANTONIO VIEIRA 12/11/2009

    Comentário por luis antonio vieira — novembro 12, 2009 @ 10:39 pm


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