Janaina Pereira

fevereiro 10, 2009

Adeus, mundo analógico

Filed under: Tecnologia — janapereira @ 8:03 pm

Sete profissionais descrevem as mudanças que a evolução tecnológica  proporcionou à suas rotinas

por Janaina Pereira, publicada na edição 40 da revista PC Magazine
A tecnologia mudou o mundo, mas o que mudou no mundo com a tecnologia? Todas as profissões ficaram diferentes de alguma forma, mas ao mesmo tempo em que o grau de mudança é relativo, a influência tecnológica parece total. É o caso dos fotógrafos. Se antes a profissão exigia muitos investimentos e recursos, hoje tudo é bem mais simples.

“Comecei há dez anos fotografando com filme mas logo busquei a fotografia digital, que é apaixonante, repleta de detalhes técnicos e situações que desafiam o senso comum, mas ainda sim extasiante! Na década de 1990, o digital ainda estava começando e meu contato foi apenas com câmeras amadoras. Mas naquela época eu já vislumbrava aquela tecnologia aplicada profissionalmente”, conta o fotógrafo Ivan Feitosa, que atualmente também é professor especialista em fotografia digital.

Hoje, um fotógrafo profissional tem como garantir que a foto saia da maneira que ele quer. O imediatismo da fotografia digital trouxe a vantagem de ver o resultado na hora sem ter que aguardar a revelação do filme para saber se o clique saiu correto ou se houve alguma falha. Este controle direto poupou bastante tempo e dinheiro. Além disso, a internet facilitou o contato entre fotógrafo e cliente.

“Posso disponibilizar as fotos diretamente num site ou mandar por e-mail sem a necessidade do cliente se deslocar e enfrentar horas de trânsito, para dizer: “quero esta e aquela foto”. É vantajoso para o fotógrafo, que pode fazer vários trabalhos e para o cliente, que terá mais tempo para ver o material com calma”, explica Feitosa. E antigamente, como era? “Fazia-se a foto, mandava o filme para o laboratório, aguardava as fotos chegarem, marcava com o cliente para escolher as fotos e rezava para que tudo desse certo!”

Os dois lados

Mas, em alguns momentos, a tecnologia pode ser uma faca de dois gumes para os fotógrafos – e para os consumidores, que muitas vezes contratam profissionais que não têm tanto conhecimento do assunto. “Muita gente acha que ser fotógrafo é simplesmente ter uma câmera e apertar botões. Já vi alguns “profissionais” dizerem ter fotografado quatro mil imagens em um casamento. Será que isto é ser fotógrafo? Já parou para pensar que três mil imagens na época do filme correspondia a cerca 110 rolos de filme de 36 poses? Será que este “fotógrafo” levava 110 rolos de filme para cobrir um casamento? Duvido! O que diferencia um profissional de um curioso é conhecer o ofício e saber a hora certa de registrar a cena, ter o olhar treinado. Tecnologia é algo maravilhoso, mas desde que se saiba tirar real proveito dela”, analisa Feitosa.

Para o fotógrafo Vitché Palazin, há 30 anos na profissão, a transição da analógica para a digital tem implicações boas e ruins no ambiente profissional. “A boa é a agilidade do serviço e a facilidade na correção de erros durante as várias fases do processo. A parte ruim é que os profissionais “pós tecnologia digital” têm grandes dificuldades em entender o funcionamento técnico da fotografia o que acaba custando caro no início da profissão.”

Palazin, que trabalha com fotos áreas, usa o Google Earth antes de começar seus trabalhos para ter as coordenadas geográficas e a orientação precisa para fotografar. “Sei, entre outras coisas, a posição do sol e na hora da captura das imagens utilizo equipamento digital de alta resolução e finalizo o processo na edição e tratamento de imagens no computador.”

O fotógrafo aponta como grande vantagem da tecnologia o fato dela se espalhar democraticamente por todos os lugares, com equipamentos que acabaram de lançar no Japão sendo disponibilizados simultaneamente no mercado brasileiro.

Um novo mundo

Outro mercado que mudou radicalmente com a tecnologia foi a publicidade. Além de tornar os custos das peças publicitárias menos caros, o processo para realização do trabalho e a agilidade em fazê-lo mexeu com a vida, especialmente, dos diretores de arte.

Para Erlon Goulart, que há 17 anos trabalha na área e presenciou esta mudança, a tecnologia influência muito na execução e visualização de um projeto a curto prazo. “O trabalho ficou mais rápido e estar conectado com o mundo facilita o acesso a informação, ajuda a compartilhar idéias e ajuda a medir resultados.”

Goulart explica que a confecção de layouts, que antes eram feitos artesanalmente, agora são realizados totalmente no computador. “Uma campanha poderia levar até uma semana para ficar pronta. Agora é finalizada no mesmo dia se for necessário. Não havia muita mão de obra, já que os layouts eram feitos por artistas que faziam de cada anúncio uma obra de arte. Hoje, com o fácil acesso a computadores, internet e máquinas digitais é possível que, mesmo sem um grande talento, qualquer pessoa se torne um diretor de arte.”

Outro ponto em que a tecnologia influenciou diretamente a publicidade foi a criação de novas mídias. O diretor de arte Vamberto Araújo conta que, durante muito tempo, foram usadas as mesmas mídias como veículo de comunicação. Mas, com o surgimento da era digital, novas mídias estão sendo exploradas como blogs, podcasts, sites e outras ferramentas que criaram oportunidades ao anunciantes de abordar seu público de forma interativa e diferenciada.

“Se compararmos o início da publicidade até a introdução da tecnologia, e a partir da tecnologia até os dias de hoje, criou-se um novo mundo. Além de tornar nosso processo de trabalho mais dinâmico, ampliou acesso a pesquisas e uma interação com novidades tecnológicas. Embora essa nova tecnologia seja relativamente recente, é impossível não perceber o salto em qualidade, tempo e dinheiro.”

Comunicação evoluída

E o mercado de vídeo, o quanto mudou? Quase tudo. O publicitário Alceu Costa Júnior, diretor de novos negócios da Take 5, agência de comunicação corporativa, mudou até a razão social de sua empresa para acompanhar a evolução tecnológica.

“Começamos há 14 anos como produtora de vídeo, fazíamos filmes e hoje trabalhamos com algo mais amplo, a comunicação corporativa. Trabalhamos atualmente, entre outas coisas, com o videomailing, uma marca que registramos e um tipo de tecnologia que criamos, uma simples comunicação com imagens.”

Aproveitando este nicho de mercado, a empresa vem desenvolvendo outras ferramentas que são novas formas de comunicação para as empresas. Um exemplo é a solução E-Training, hoje utilizada por companhias como a Intel para disseminação de treinamentos online no país. Trata-se da tecnologia que visa trazer maior interatividade entre as empresas e seus públicos, por meio da comunicação online.

Especialmente desenvolvida para treinamentos via Internet, o E-Training exibe o conteúdo por meio de recursos multimídia que possibilitam agilidade e didática no processo de aprendizagem entre as companhias e seus colaboradores, força de vendas ou canais. Pela característica multimídia, o E-Training apresenta o vídeo do palestrante sincronizado com os slides de sua apresentação, tornando-se uma solução bem mais amigável. Além disso, os slides indexados permitem ao usuário navegar pela apresentação, sem que perca o sincronismo com o vídeo.

“Procuramos utilizar a inteligência digital no conceito de treinamentos online. A interatividade veio para ficar e é cada vez mais necessária no mundo virtual”, explica Costa Júnior.

Mudança nas empresas

Mas não é só na comunicação que as empresas mudaram. Se antes elas não tinham um banco de dados para manter um relacionamento automatizado com os clientes, agora tudo parece muito simples. Banco de dados com filtros e mais filtros baseados em estratégia de CRM fazem com que até as pequenas e médias empresas busquem trabalhar nessa fidelização. E alguns profissionais como Leonardo Kunzler, Gerente de DBM/CRM, participaram desta transição.

“Trabalho na área de tecnologia há 15 anos, participando de desenvolvimento e operação de sistemas corporativos de grandes empresas. No início, lembro que tudo era muito formal e não havia muita iniciativa por parte dos profissionais na inovação no dia-a-dia. Aos poucos, com a evolução de sistemas, hardwares e metodologias de trabalho, as pessoas entraram na onda e passaram a utilizar a tecnologia para sua facilidade pessoal e profissional. Participei em 1994 como trainee de uma migração de sistema bancário com base na conferência de extratos impressos com mais de uma dúzia de pessoas. Atualmente, esta migração é realizada na integração entre fontes de dados sob operação de um administrador de banco de dados”, explica Kunzler.

Ele acredita que a tecnologia influencia qualquer profissão. “Agora falamos de forma rápida, disponível e sem custos. Podemos interligar facilmente executivos em diferentes cidades em um sistema de conference com vídeo para troca de contratos assinados digitalmente.  Podemos passar um e-mail para formalizar um posicionamento ao cliente ou um SMS para o chefe quando você está em uma roda de amigos.”

Kunzler também coloca que, até pouco tempo atrás, o trabalho era realizado com processos bem definidos e simplificados e o contato pessoal era uma premissa muito forte. “Agora ter o contato pessoal é um luxo. A tecnologia proporciona as ferramentas necessárias para as relações à distância.”

Online e real time

Carine Halmenschlager, Gerente de Desenvolvimento de Negócios da Direkt, empresa de marketing direto, está na área de Inteligência de Mercado há nove anos. Quando começou, já se utilizava a tecnologia, mas sem os recursos avançados que estão à disposição nos dias atuais.

“A tecnologia acaba influenciando muito no tempo de resposta das atividades. Hoje, nenhum cliente quer aguardar muito tempo para ter uma determinada resposta. Tudo ficou online, em real time”, comenta.
No trabalho de Inteligência de Mercado utilizam-se ferramentas tecnológicas durante toda a execução de um projeto de pesquisa de mercado para, por exemplo, a realização de entrevistas com consumidores que podem ser por internet, por palmtop ou por sistema telefônico online. Além disto, a tecnologia está presente diariamente, na busca de informações online de dados da concorrência, na tabulação e na análise das informações, na plotagem de dados de consumidores em mapas geográficos digitais, na elaboração das recomendações mercadológicas, entre outras utilizações básicas.

 Segundo Carine, a evolução tecnológica foi fundamental para que todo esse trabalho seja realizado em um tempo muito menor e com muito mais qualidade do que antes. E ferramentas como o Power Point, que para alguns pode ser pouco usada, para profissionais como Carine é fundamental.
“As ferramentas de análises estatísticas, como o SPSS, são as que mais ajudam no meu trabalho, permitindo uma análise e uma tabulação dos dados provenientes das entrevistas com os consumidores de uma forma muito mais rápida e consistente. Além disto, o Power Point, uma excelente ferramenta para criação de apresentações, é amplamente utilizada para a elaboração dos relatórios analíticos, que são o produto final que a minha área entrega para os nossos clientes. Hoje, nossos relatórios são entregues com um visual bastante atrativo, exemplificado com gráficos, figuras, fotos e até mesmo vídeo. Sem o uso do Power Point, jamais conseguiríamos fazer algo semelhante.”

É a tecnologia fazendo o mercado de trabalho evoluir – e deixando os profissionais evoluírem com ela.

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