Janaina Pereira

dezembro 20, 2010

Gerenciamento de leitos faz diferença

Filed under: Saúde — janapereira @ 6:26 pm

Sistema agiliza processo de internação e possibilita maior dinamismo no atendimento em instituições de saúde

Por Janaina Pereira 

Desde 1960 vem-se observando na América do Sul uma diminuição progressiva de número de leitos por mil habitantes em todos os países, exceto no Brasil, que no período de 1960 a 1990 passou de 3,0 para 3,6 leitos por mil habitantes. A mesma tendência foi observada no Caribe Latino, onde apenas Cuba aumentou a oferta de leitos hospitalares nesse mesmo período.

Nos anos 1980, vários fatores contribuíram para uma mudança no perfil epidemiológico da população brasileira, os quais alteraram significativamente a demanda por leitos hospitalares. Nos hospitais em que ocorrem maiores investimentos e diversificação na atuação das áreas de infra-estrutura, diagnóstico e terapêutica e ambulatório, consegue-se obter maior produtividade, além de proporcionar uma dinamização em todo seu sistema de atendimento.

Em 1995, o Ministério da Saúde, revendo a utilização de leitos hospitalares no país, diante dessas novas tendências e do aumento da resolutividade do atendimento ambulatorial, fixou como limite 9 internações por ano para cada 100 habitantes (9%), bem como revisou sua tabela de médias de permanência para fins de faturamento das AIHs (Autorização de Internação Hospitalar).

Pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Serviços Assistenciais Próprios de Empresas (ABRASPE) apurou que o índice de internações-ano da população coberta pelos planos de saúde, caracterizados como Auto-Gestão, foi de 10,24% em 1995.

É importante ressaltar que os Planos de Auto-Gestão, com ou sem fator moderador, apresentam ainda algumas exclusões no atendimento, principalmente na área de pacientes crônicos terminais e fora de possibilidades terapêuticas, e oferecendo atendimento hospitalar em psiquiatria apenas para os casos agudos.

Hoje, para um perfeito funcionamento de uma instituição de saúde, é necessário um cuidado especial com a administração dos leitos. Um exemplo de como essa técnica pode fazer a diferença é o caso do Hospital VITA Curitiba, que implantou no início deste ano o sistema de gerenciamento de leitos para proporcionar maior agilidade nas internações.

Com o processo, a liberação de materiais e procedimentos é realizada de maneira mais prática, facilitando a parte burocrática de verificação de documentos. O VITA Curitiba é o único hospital do Sul do Brasil que possui este sistema, que evita atrasos e cancelamentos na hora da internação.

O gerenciamento de leitos do Hospital VITA Curitiba reúne quatro setores que anteriormente ficavam separados e agora trocam informações entre si: agendamento cirúrgico, liberação de guias de procedimentos e materiais, pré-internação e compra de materiais. Todos se juntaram em um só setor, facilitando todo o processo.

O sistema também funciona como um controle de vagas, com um mapa de internação que encaminha os pacientes para os leitos vagos, evitando a marcação de mais de um paciente para o mesmo leito. Tudo isso faz com que o paciente seja encaminhado diretamente para o setor de internação e gerenciamento de leitos para agendar a cirurgia. Todo este processo facilita de tal forma para que,  no dia da cirurgia, tudo esteja pronto e liberado para a internação.

“No Hospital VITA Curitiba os leitos são gerenciados por meio das previsões de alta coletadas no momento do agendamento da cirurgia. Ou seja, os pacientes eletivos são controlados pela previsão de cirurgias que
acontecerão no dia seguinte, fornecidas pelo setor de gerenciamento de
leitos, sempre considerando as entradas via pronto socorro” , informa Adriano Carvalho, Gerente de Logística do Hospital.

Painel de Leitos

Ainda segundo Carvalho, os leitos são previamente selecionados no final de cada dia e o controle e distribuição são feitos a partir do sistema, por meio do painel de leitos, que traz on-line as informações de quais leitos estão disponíveis à admissão do cliente.O gerenciamento é feito pelo setor de internação com base nas informações coletadas e controle de disponibilidade a partir deste painel de leitos. Estes leitos são disponibilizados conforme a necessidade do paciente, fator importante e decisivo no processo, que sempre considera o procedimento a ser realizado.

Um exemplo citado por Carvalho é que, se existem leitos adaptados para procedimentos de gastroplastia, paciente com limitação física, ou ainda outra necessidade apontada pelo médico, isto será considerado na hora de determinar o leito disponível.

A definição do leito também pode ser dada pelo tipo de acomodação contratada pelo cliente, diferenciação por tipo de internação (clínica ou cirúrgica), por idade (pediátrico ou adulto), pelo grau de complexidade da enfermidade do paciente (necessidade de cuidados especiais, tais como UTI ou isolamento), ou pela patologia (tratamento oncológico por exemplo).

De acordo com Carvalho, o VITA sempre toma o cuidado de garantir a disponibilidade de leitos para as primeiras cirurgias do dia. As demais são administradas conforme as altas no decorrer da manhã e tarde. O gerenciamento de leitos também atua no horário de chegada do cliente ao hospital, possibilitando que seu internamento aconteça no momento mais próximo possível em relação ao horário da cirurgia, evitando espera ou entrada antecipada desnecessária.

“Como o hospital VITA atende urgência e emergência, podem ocorrer internamentos gerados no pronto socorro, além dos leitos previstos, utilizando os leitos programados para os pacientes eletivos. Quando isso acontece, o hospital atua em conjunto com as equipes médicas, entrando em contato com os médicos que possuem previsões de alta para o dia”, completa.

Gerenciamento por setor

No Hospital Samaritano de São Paulo, o sistema de gerenciamento de leitos é feito a partir das três portas de entrada, que são os pacientes emergenciais, eletivos e ambulatoriais. Na emergência, se necessitarem de internação para continuidade de tratamento em ambiente hospitalar, a equipe assistencial solicita a internação e o paciente aguardará no pronto-socorro, em atendimento, um quarto para sua acomodação.

Para os pacientes eletivos, o médico planejará a internação do paciente, clínico ou cirúrgico, e haverá o controle desta demanda pelo mapa cirúrgico ou agendas específicas por especialidade. Já o paciente ambulatorial, geralmente de curta permanência, agenda seu procedimento/terapia e de forma planejada é atendido e nem sempre necessita de um leito para internação por muito tempo, considerando que a maioria dos procedimentos não são invasivos ou requerem analgesias mais limitantes, como anestesia geral ou sedação.

Toda esta demanda é controlada pelo sistema de gestão, o Tasy, e o Núcleo de Leitos é quem coordena a adequação do paciente ao leito. Segundo a Gerente de Hotelaria do Hospital, Margarida Manfredini, o controle é centralizado e por sistema.

“É o Núcleo de Leitos, de responsabilidade da coordenação de internação e hospedagem que se reporta a gerência de hotelaria. O Núcleo necessita de diferentes informações para adequar o paciente e sua patologia ao leito, como o tipo de procedimento que será realizado, a doença do paciente, a necessidade de isolamento ou não, o envolvimento de serviços médicos específicos, gravidade do problema e fonte financiadora , ou seja, se é convênio ou particular”, explica Margarida.

No Hospital Samaritano, o planejamento tem que acontecer de forma integrada entre todos os envolvidos no processo de atendimento do paciente, sempre antecipadamente. A falta disso poderá ser um grande obstáculo e comprometer a qualidade do atendimento. Também é importante manter um agendamento sempre compatível com a capacidade instalada.

Outro exemplo de sucesso do gerenciamento de leitos é o HCor – Hospital do Coração, em São Paulo, que possui um programa que permite, em tempo real, o gerenciamento dos leitos hospitalares.

O sistema tem como objetivos a redução do tempo de espera para internação, a eliminação de ocorrências de cancelamento de cirurgias por falta de leitos, o incremento de manutenções preventivas e corretivas em apartamentos e a melhoria da qualidade de atendimento na central de reservas. Além disso, o sistema permitiu a integração das equipes de Hotelaria, Enfermagem, Nutrição e Manutenção tendo um reflexo direto na qualidade do atendimento aos pacientes.

O fator mais importante para o sucesso do sistema de gerenciamento é a geração de informações confiáveis relativas a taxas de ocupação futuras e previsão de altas, tarefa realizada pelo software “MOP” (Mapa de Ocupação Prevista).

Segundo Domenico Caruso, Gerente de Hotelaria do HCor, o  MOP permite visualizar a quantidade diária de internações, as taxas de ocupação atual e futura para unidades críticas e apartamentos e, para cada paciente internado, a data estimada de alta.

Estes são exemplos de como o gerenciamento de leitos favorece não só a rotina da instituição de saúde, mas também o cliente que está utilizando o serviço desta instituição.

 

Publicada na edição de novembro/dezembro da revista Gestão e Tecnologia Hospitalar edição 04.

 

1 Comentário »

  1. Estou de acordo com o comentário acima, realmente a integração de áreas no serviço de atendimento ao cliente devem estar atuando em sincronicidade na otimização de uso\liberação do leito hospitalar. A colaboração das equipes médicas certamente assegurarão esta dinâmica e produtividade em tempo real, ou seja melhor previsão de alta e entrada do cliente.

    Comentário por sirlene nascimento — julho 14, 2011 @ 8:17 am


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