Janaina Pereira

outubro 11, 2011

Prevenção contra o câncer de mama

Filed under: Saúde — janapereira @ 10:20 pm

As técnicas para promover o diagnóstico precoce do câncer de mama passou por evolução importante nos últimos anos, e um dos novos métodos que tem ajudado a detectar mais rapidamente a doença é a tomossíntese, mamografia digital tridimensional já utlizada por grandes hospitais brasileiros como o Sírio-Libanês, por meio do Selenia Dimensions.

Por Janaina Pereira

A prevenção ainda é o melhor método para combater o câncer. Por isso, as novas tecnologias em exames que diagnosticam a doençam são, cada vez mais, benvindas. Última novidade em diagnóstico mamário, a tomossíntese é uma evolução da mamografia, teste já consagrado na detecção precoce do câncer da mama. Seu grande beneficio é reduzir ou eliminar a superposição tecidual . Assim, lesões como nódulos, assimetrias e distorções são mais facilmente identificadas e caracterizadas. Além disso, a tomossintese diminui o número de incidências extras, como compressão localizada e magnificação, o que pode levar a redução de dose de radiação do exame.
Segundo a Dra. Vera Aguillar, especialista em mamografia do Hospital Sírio-Libanês, o beneficio da tomossintese na detecção precoce do câncer de mama será indiscutível, visto que o método obtem imagens da mama sem a superposição tecidual que ocorre na mamografia 2 D (mamografia convencional).
“Isso vai permitir a detecção de tumores que, hoje, ficam camuflados no parênquima mamário, no exame mamográfico, principalmente no rastreamento das mulheres com mamas densas. Nesse tipo de padrão mamário, o tumor pode passar despercebido pela falta de contraste entre a lesão e o tecido adjacente. Isso já melhorou muito com o advento da mamografia digital e pela superposição tecidual. Neste ponto entra a tomossintese, que reduz essa superposição , permitindo a detecção de lesões que poderiam ficar escondidas”, explica a médica.
Outra indicação da tomossintese é nos casos diagnósticos, como melhor caracterização de lesões não calcificadas (nódulos, assimetrias e distorção arquitetural) e mamas operadas, principalmente estudo do leito cirúrgico após cirurgias conservadoras para câncer de mama.
Na tomossíntese, o tubo de RX se movimenta em arco e múltiplas exposições da mama, com dose baixa de radiação, são adquiridas . Essas projeções são, então, reconstruídas pelo próprio aparelho, em “slices” de 1mm, que são enviadas para monitor de alta resolução, para que o médico radiologista as interprete.
“É importante destacar que não é só o movimento do tubo de RX que faz a tomossintese. É necessário um novo mamógrafo, com alvo e filtros específicos para que a dose de radiação seja baixa e, principalmente, um detector digital muito potente e rápido, de conversão direta (selênia), para que mais de 95% da radiação seja aproveitada na formação da imagem”, continua a Dra. Vera.
Selenia Dimensions
Uma das empresas que fabrica os aparelhos de tomossíntese é a Hologic, representada no Brasil pela a Pyramid Medical Systems, com a mamografia digital tridimensional Selenia Dimensions. O primeiro Selenia foi adquirido no Hospital Sírio-Libanês para a unidade da Bela Vista. Satisfeito com o resultado, o hospital adquiriu outro Selenia para a unidade do Itaim e, neste ano, o Selenia Dimensions com tomossíntese foi para a nova Unidade do Sírio-Libanês, nos Jardins – uma unidade direcionada para exames diagnósticos apenas no publico feminino.
“Adquirimos o Selenia por ser, a nosso ver, o mamógrafo com maior resolução de Imagem devido ao método direto de conversão do RX na formação da imagem e grade antidifusora HTC. O Dimensions 3D foi adquirido porque acreditamos que a tomossíntese veio para ficar, quase comparando com a tomografia do tórax, que hoje ninguém questiona suas indicações. A superposição tecidual em mamografia é um problema, pois temos um órgão tridimensional estudado por um método bidimensional, como a mamografia 2D, e com certeza um novo teste que reduz ou elimina esse problema, vai nos ajudar muito na maior detecção do câncer de mama”, explica a Dra. Vera.
Ela ainda informa que não houve problemas no processo de implantação do Selenia e o aparelho está sendo usado no rastreamento de todas as mulheres que apresentam mamas que não sejam adiposas (densas ou parcialmente densas).
“Tem sido utilizado também em pacientes submetidas a cirurgia conservadora para estudo do leito cirúrgico e para qualquer dúvida diagnóstica, em casos de nódulos, assimetrias ou distorções ou achados palpatórios. Quanto às calcificações, estamos ainda na fase de aprendizagem. Por enquanto ainda utilizamos a magnificação do foco para compararmos melhor com o 3D. Estamos ainda há pouco tempo com o aparelho, mas já nos sentimos mais seguros no estudo das mama densas. Temos alguns pouco casos que o diagnóstico foi pela tomossintese e confirmado pela US. Mas estamos muito confiantes com a nova tecnologia. Esperamos por novos algoritmos de reconstrução para detectarmos melhor as calcificações agrupadas e meios de biopsiarmos as lesões encontradas só pela tomossíntese.”

Por trás do Selena

De acordo com Valéria Rotter, do departamento de marketing da Pyramid Medical Systems, representante brasileira da Hologic, que fabrica o Selenia Dimensions, ele é o único equipamento com essa tecnologia com aprovação do FDA – foi aprovado em 11 de Fevereiro de 2011.

A Hologic é uma empresa americana fundada em 1985, líder no desenvolvimento, fabricação e fornecimento de produtos de excelência em diagnóstico, sistemas de imagem médica, cirúrgica e de produtos criados especificamente para atender às necessidades da saúde das mulheres em todo o mundo. A companhia possui centros de operação na América do Norte, Europa, América Central, Austrália e Ásia. As principais unidades de negócios da Hologic estão focadas nas áreas da saúde da mama, diagnósticos, cirurgia ginecológica e saúde dos ossos. Na área da saúde da mama, a Hologic está voltada agora aos avanços da tecnologia Tomossíntese de mama, com equipamento capaz de fornecer imagens de alta qualidade do tecido mamário em três dimensões.

No histórico da prevenção do cancer de mama pelo mundo, o Breast Imaging Department do Magee-Womens Hospital da UPMC (University of Pittsburgh Medical Center) foi pioneiro na utilização da mamografia digital em 2000, quando se tornou um dos primeiros hospitais nos Estados Unidos a instalar um sistema clínico digital. Em 2006, o Magee tornou-se um dos maiores centros de mamografia digital do país, quando converteu seus sistemas analógicos restantes para digitais.

O hospital escolheu utilizar a tecnologia Hologic em seus centros de imagem
de mama, incluindo o sistema de mamografia digital Selenia® da Hologic, sistema
estereotáxico para guia de biópsia de mama MultiCare® Platinum, detecção auxiliada
por computador ImageChecker®, sistema de biópsia e excisão de mama guiado por
MRI ATEC® e sistema de densitometria óssea Discovery™ da Hologic.
No Brasil o mamógrafo digital Selenia da Hologic foi introduzido em 2003.

Em 2005, o Magee instalou um protótipo do sistema de tomossíntese digital da
Hologic como parte de uma iniciativa de pesquisa para avaliar a tecnologia. Em
2009, o hospital instalou uma segunda unidade de tomossíntese, o sistema Selenia®
Dimensions da Hologic, expandindo suas capacidades de pesquisa. Outros grandes
centros nos Estados Unidos e também na Europa participaram de pesquisas com a
Tomossíntese até a aprovação do FDA em fevereiro de 2011.

O Magee-Womens Hospital realizou 1.500 exames de mama utilizando a tomossíntese,
onde os radiologistas puderam comprovar alguns benefícios quando comparam
com a mamografia bidimensional, entre elas, maior sensibilidade, eliminação da
sobreposição de tecidos, eliminação de biópsias desnecessárias e redução na taxa de
reconvocação dos pacientes.

O Selenia pode ser importado por insitutuições nacionais e adquirido por meio da Pyramid Medical Systems. Além disso, é uma tecnologia acessível, e grandes centros nos Estados Unidos e também na Europa participaram de pesquisas com a Tomossíntese, até a aprovação do FDA em fevereiro de 2011. Com sua plataforma única e versátil, que adquire imagens digitais nos modos 2D, 3D e combinado 2D+3D simultaneamente em única compressão e exposição, o Selenia é utilizado para rastreamento e diagnóstico da mama e pode ser instalado em Hospitais e Clínicas que trabalham com diagnósticos por imagem. O equipamento realiza várias projeções da mama, em diferentes planos e com baixa dose de radiação, para gerar imagens que são rapidamente reconstruídas. O resultado são imagens semelhantes às de tomografias, mesmo quando são empregadas doses de radiação similares às da mamografia digital.

No Brasil, a tomossíntese chegou em 2010. O primeiro mamógrafo Selenia
Dimensions foi instalado no início de maio de 2010 na Clínica CDB Premium e hoje são seis Selenia Dimensions instalados nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

“Outros três grandes centros já adquiriram, porém ainda não instalaram”, finaliza Valéria.

 

*publicado na revista GTH, edição 10, setembro/2011

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