Janaina Pereira

julho 5, 2015

Setentenário

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Edição de 70 anos do Festival de Veneza reuniu filmes que abordam a figura feminina e levou ao Lido George Clooney e Sandra Bullock

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por Janaina Pereira, de Veneza

A mostra de cinema mais antiga do mundo completou 70 anos. De 28 de agosto a 7 de setembro, o Festival Internacional de Cinema de Veneza recebeu turistas, jornalistas e celebridades para a exibição de mais de 400 filmes em suas diversas sessões. Na mostra competitiva, 20 produções concorreram ao Leão de Ouro, prêmio máximo do Festival. Para presidir o júri deste ano, foi escolhido o cineasta italiano Bernardo Bertolucci.
As produções escolhidas pelo diretor Alberto Barbera — em seu segundo ano à frente da mostra — colocaram luz na figura feminina, com mulheres abordadas como personagens corajosas, e também submissas. A violência doméstica e os conflitos familiares foram temas recorrentes no Lido.
— O cinema faz uma reflexão sobre a crise que atravessamos: econômica, social, familiar. É o espelho da realidade, muitas vezes trágica. Os filmes deste ano apresentam histórias de abuso sexual, violência contra as mulheres, dissolução de laços familiares, crise de valores. Acho que os cineastas não dão sinais de otimismo nem oferecem saídas — disse Barbera aos jornalistas.
Entre os filmes selecionados para a competição oficial, destacam-se o britânico Stephen Frears, com Philomena, a história real de uma mulher que foi obrigada a vender o filho; seu compatriota Terry Gilliam, com The Zero Theorem; a animação Kaze Tachinu, de Hayao Miyazaki (que anunciou em Veneza sua aposentadoria do cinema); e o diretor e ator James Franco, com Child of God, adaptação do best-seller americano de Cormac McCarthy.
Se na telona os filmes abordavam diversos conflitos, fora dela a situação pareceu melhorar. Depois de muitas reclamações sobre a falta de estrutura do festival, Barbera investiu em uma nova sala para entrevistas coletivas, colocou diversas tomadas para os jornalistas usarem seus portáteis, e ofereceu pequenos ‘mimos’, como café e água. O diretor fez questão de dizer que vêm mais novidades por aí.
— Nossa intenção é trazer cada vez mais jornalistas para Veneza. Por isso pensamos em uma nova sala de imprensa, e a atual poderá virar uma sala de exibição de filmes. Esperem para o ano que vem mais mudanças — revelou.
Mesmo com as melhorias, o festival estava visivelmente esvaziado em 2013, tanto em público quanto em jornalistas. Até o ano passado, a média era de quatro mil repórteres e fotógrafos (80% da imprensa italiana). Os números oficiais garantem que este ano havia três mil jornalistas (sendo um terço de estrangeiros), mas a imprensa local apostava em menos de dois mil.
— É só você olhar as sessões de imprensa dos filmes. Nenhuma sessão lotou. Sobraram lugares, coisa que nunca vi antes. A crise econômica mundial afetou, mas o festival perdeu prestígio para Toronto, que acontece quase simultaneamente. Se a data de Veneza não for mudada, a cada ano teremos menos mídia. Além disso, faltam estrelas de peso, gente que arrasta multidões. O tapete vermelho deste ano foi muito sóbrio — analisa o jornalista Michelle Marone, que cobre o evento desde 1990.

A volta do americano mais querido da Itália
Na ausência de grandes estrelas, Veneza apostou na ‘prata da casa’: o ator americano mais querido dos italianos, George Clooney. O ator foi a principal atração da abertura e representou seu mais recente longa, a ficção científica Gravidade, do mexicano Alfonso Cuarón, o primeiro 3D da história de Veneza, levando também ao Lido a atriz Sandra Bullock.
Mais uma vez, os filmes latino-americanos ficaram de fora, embora a coprodução franco-brasileira Amazônia, dirigida por Thierry Ragobert e com roteiro do brasileiro Luiz Bolognesi (também em 3D) tenha sido o filme de encerramento.
Os filmes made in Italy também foram prestigiados. A diretora de teatro italiana Emma Dante fez sua estreia no cinema com Via Castellana Bandiera. Gianni Ameli, vencedor do Leão de Ouro em 1998, concorreu com El intrépido, enquanto Gianfranco Rosi apresentou o documentário Santo GRA, rodado na estrada circular de Roma.
Para o ano que vem, o presidente da Bienal de Veneza, Paolo Baratta, espera contar com a participação de diretores consagrados e jovens talentos.
— Mesclar filmes de quem já está no mercado há anos, com aqueles que começam agora, é a nossa intenção. E esse caminho será ainda mais forte em 2014 — concluiu.

Publicado na revista Comunitá Italiana. Versão online aqui.

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